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© Petit à Petit 2017 by Milena Nardocci

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VOCÊ TEM MEDO DO ENGASGO?

  • Milena Nardocci

O novo guia alimentar para crianças menores de 2 anos



O novo guia alimentar para crianças menores de 2 anos foi lançado hoje pelo Ministério da Saúde! Esse com certeza é o melhor material para você que quer aprender mais sobre alimentação infantil. A linguagem é super acessível e ele pode ser usado como referência não só por profissionais da saúde que querem se atualizarem, mas por cuidadores, pais, mães e familiares de crianças menores de 2 anos!


Algumas diretrizes que já conhecemos estão mantidas na nova versão do guia:


Oferecer leite materno e somente leite materno nos 6 primeiros meses de vida da criança.

Iniciar a introdução alimentar a partir dos 6 meses.

Começar com 3 refeição por dia, e a partir dos 7 meses, oferecer 4 refeições por dia.

Começar com alimentos amassados e evoluir a textura gradualmente.


O que mudou?


A mudança mais importante das recomendações na minha opinião foi:


Para crianças não amamentadas que fazem uso de fórmula infantil, a introdução alimentar deve começar a partir dos 6 meses de vida, inclusive a oferta de ÁGUA! Essa foi uma grande mudança porque antes recomendava-se o início da introdução alimentar a partir dos 4 meses.


Para crianças que não são amamentadas e que não fazem uso de fórmula (isto é, oferecem leite de vaca diluído), a recomendação de introdução alimentar precoce é mantida. Vale dizer aqui que essa não é a melhor alternativa.


Ainda nesse assunto, o guia também recomenda: a partir dos 9 meses, a fórmula infantil PODE ser substituída pelo leite de vaca integral. Pode ser, não significa que você não pode continuar dando fórmula até os 12 meses. O guia recomenda EVITAR compostos lácteos, diferente das recomendações do Manual de Alimentação da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP). Um adendo importante: o Manual da SBP foi patrocinado pela Nestlé. Conflito de interesse? Quase nada! (tom muito muito irônico aqui).


Sucos: a recomendação de sucos de frutas in natura mudou para somente a partir de 1 ano, em pequenas quantidades, seguindo as diretrizes atuais da Sociedade Americana de Pediatria.


Mel: a recomendação do mel agora é a mesma que para o açúcar: deve ser evitado nos primeiros dois anos de vida. Antes, recomenda-se evitar somente no primeiro ano por risco de botulismo, mas nada se falava de suas propriedades semelhantes ao açúcar e a necessidade de evitá-lo nesse período.


Sal: assim como em versões anteriores, a versão atualizada sugere que o sal e outros ingredientes culinários podem ser utilizados para o preparo de alimentos in natura e minimamente processados EM PEQUENAS QUANTIDADES. Algumas referências, como a SBP, recomenda evitar nos 12 primeiros meses de vida. Acho que essa recomendação dá uma certa flexibilidade e eu gosto disso. Não precisa ser super radical a ponto de deixar de oferecer uma comida de verdade pronta na geladeira porque foi feita com um pouco de sal. Por outro lado, fica um pouco subjetivo porque “pouco sal” pra mim pode significar uma quantidade completamente diferente que pra você.

O que eu recomendo: se for adicionar sal, adicione uma pitadinha por cima do alimento depois de pronto. Em casos excepcionais fora da rotina, não tem problema oferecer uma comidinha que foi adicionada de sal.


Leite de vaca e derivados: sempre falo aqui sobre isso e agora vamos acabar de vez com essa confusão! Esses alimentos podem ser oferecidos a partir dos 6 meses, como ingrediente de receitas caseiras ou em pequenas quantidades. O que NÃO é adequado é usar leite de vaca como REFEIÇÃO, por exemplo, como substituto do leite materno ou da fórmula (antes dos 9 meses). Vamos enterrar de vez esse mito de que não pode dar purê de batata pra crianças menores de 1 ano por causa da manteiga ou do pouquinho de leite que é adicionado! Superemos!


Sobre a consistência dos alimentos na introdução alimentar: o novo guia brasileiro não reconhece como adequada a oferta de alimentos em pedaços desde a primeira refeição, como o método BLW promove. Apesar disso, o guia recomenda oferecer alimentos, como frutas, em pedaços para a criança comer com as mãos! Muitos dos princípios do BLW foram incorporados nas orientações do Guia, apesar do nome “BLW” não estar lá, como deixar a criança ver o que está comendo, deixar tocar os alimentos e comer com as mãos.

Na minha opinião, acho que faria o mesmo. Infelizmente, ainda não temos muitos artigos científicos que documentam o BLW. A pesquisa científica demora muito mais tempo para ser desenvolvida. Quem sabe na próxima versão do guia?


O que EU gostei DEMAIS sobre o novo guia


Ele oferece uma visão muito mais holística sobre a amamentação e alimentação nos primeiros anos de vida. Alimentação não é somente ingestão de nutrientes, mas envolve relações sociais, culturais e com o meio ambiente. E essa nova versão aborda isso muito bem.


Nessa versão, tem um capítulo extenso sobre amamentação, como identificar a pega correta, além de desmistificar alguns mitos, como leite insuficiente ou “fraco”. Tem um montão de fotos com orientações para identificar a pega correta, o que fazer em diversas situações de dificuldade.


O guia fala bastante da importância de ter uma relação saudável com a comida, da promoção de um ambiente alimentar adequado, e do respeito dos sinais de fome e de saciedade das crianças. Ele fornece orientações de como identificar esses sinais na criança e como reagir.


Mas a minha parte favorita foi que o guia apresenta os alimentos segundo seu nível de processamento no contexto da alimentação infantil. Ele apresenta os quatro grupos de alimento segundo o nível de processamento e recomenda:

Basear a alimentação da crianças nos alimentos in natura ou minimamente processados, limitar o consumo de ingredientes culinários e alimentos processados, e evitar o consumo de alimentos ultraprocessados.


Eu acho que esse é o primeiro guia alimentar direcionado para crianças que leva em consideração o nível de processamento de alimentos! Que revolução! Que orgulho!

Além disso, o guia tem uma pequena seção sobre o uso de aditivos alimentares presentes nos alimentos ultraprocessados e como identificá-los. A leitura do rótulo dos alimentos (como falo bastante por aqui) também é estimulada!


Outro ponto importante que o novo guia enfatiza é o de priorizar alimentos orgânicos e locais provenientes de pequenos agricultores, pois promovem condições de trabalho mais juntas e uma relação saudável com o meio ambiente, gerando menos poluição do solo e da água.


Na nova versão tem uma parte que alerta sobre os compostos lácteos. Achei maravilhoso, ainda rola muita confusão do que é composto lácteo, leite em pó e fórmula. Compostos lácteos são dispensáveis e muito menos saudáveis que o leite de vaca comum. Se pensarmos no nível de processamento, o leite de vaca comum é um alimento minimamente processado enquanto que o composto lácteo é um alimento ultraprocessado.


E se não bastasse tudo isso, no último capítulo ele estimula ir para a cozinha, porque isso sim que é revolução nos dias de hoje!


Ah! E eu adorei ver a forma que o guia foi escrito, incluindo sempre cuidadorAs e cuidadorEs, mães e PAIS. Precisamos incorporar isso na nossa linguagem, afinal, alimentação da criança não é mais só responsabilidade da mulher, e sim, da família inteira! Quanto orgulho!


E a melhor parte de tudo isso: o guia alimentar é um documento gratuito e disponível online para download! Muito melhor que muuuito livro de introdução alimentar que eu já vi por aí! O link para acessar o guia na íntegra é esse aqui: http://189.28.128.100/dab/docs/portaldab/publicacoes/guia_da_crianca_2019.pdf


Essas são as minhas opiniões pessoais, mas não pare por aqui, corre lá ler o documento completo e tirar suas próprias conclusões e depois me conta lá no instagram (@blogpetitapetit) o que você achou!